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30 setembro 2020

Podcast das Marias - Ep.2 - Antirracista

Hoje vamos falar sobre um tema muito esperado, que como faz muita falta nessa sociedade: Sim! Antirracismo.  E para falar sobre isso é necessário se situar no tempo histórico, pois a luta antirracista ou termo antirracismo não foi cunhado em 2020, e nem devido as manifestações esse a ano nos Estados Unidos.

A luta antirracista é feita por nós negros há muitos e muitos contra esse sistema capitalista, e contra as formas de opressão nessa sociedade capitalista e patriarcal. Portanto para uma luta antirracista ou para ser um antirracista é necessário um movimento de retorno a todo o material teórico já produzido por nós negras e negros e toda a ciência que nós negras e negros já produzimos, todas as teorias que nós já refutamos para que haja uma sociedade antirracista.  

Por isso há alguns questionamentos que podem ser o ponto de partida para que numa pessoa não negra seja antirracista: Você abre mão de alguns privilégios para poder amenizar as reproduções das opressões nessa sociedade? O seu feminismo chega na periferia?

São questionamentos que a princípio podem não parecer profundos, mas quando refletidos, traz um exercício de localização da branquitude chegando a conclusão que o racismo é um problema de cunho capitalista que está entranhado no nosso ventre social que está nas esferas e nas estruturas.

Mas o racismo também está no plano tanto material quanto no plano da subjetividade que evidentemente percorre tantos corpos negros quantos copos brancos, a diferença é como ele percorre nesses corpos.

No corpo branco ele percorre no sentido de dominação e nos corpos negros no sentido de violência, então tendo um problema de um capitalista e de dominação e sendo o sistema capitalista colocado por sistemas de classe em que a classe que domina é majoritariamente branca, por isso é preciso que pessoas brancas entendam que além do capitalismo, eles enquanto sujeitos também são responsáveis pelo racismo e logo tem responsabilidade e dever de ser antirracista, porque quem nos racializou foi a branquitude, portanto o racismo é um problema da branquitude e que de alguma forma ou de outra, querendo ou não, você branco, usufrui de privilégios fruto dessa colonização, portanto você tem total responsabilidade também sobre o racismo e logo tem responsabilidade e dever de ser antirracista.


Thaís Helena, pré-cocandidata a vereadora das Marias no Mandato Coletivo Feminista em Santos, estudante do curso de Serviço Social da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), feminista, negra, pesquisadora sobre a posse de terras para os negros após escravidão. Participou ativamente da última Conferência da Habitação. moradora do Dique da Vila Gilda em Santos. 

Ouça em: https://www.youtube.com/watch?v=2oIk5TlfLbw&t=8




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