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29 setembro 2020

Somos Marias, Somos Maioria

Somos um País de maioria de mulheres, de maioria de população negra e de uma extrema desigualdade, onde estas maiorias fazem parte do povo que produz riqueza, seja oficialmente ou informalmente, mas não fica com o resultado da sua produção. Além disso, mulheres negras - a base da nossa pirâmide social - acumulam toda forma de opressão e exploração de uma sociedade capitalista patriarcal, machista, racista e LGBTfóbica. 

Somos a maioria das trabalhadoras e das usuárias da saúde, da educação e da assistência, áreas mais castigadas pela política neoliberal dos últimos governos federais. Em várias regiões do País somos a maioria que, sozinhas, são responsáveis pelas famílias. 


De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), o Brasil é o quinto país, no mundo em assassinato de mulheres. Ocupa o primeiro em assassinato de pessoas trans, conforme o novo dossiê da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra-2019). Nos primeiros oito meses de 2020 foram 129 assassinatos de pessoas trans, com aumento de 70% em relação ao mesmo período do ano passado, e com mais assassinatos que em 2019 inteiro, quando neste último ano foram registrados 124 assassinatos.


Segundo o Atlas da Violência, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 75,5% das vítimas de homicídio no País são negras - maior proporção da última década. O crescimento nos registros de assassinatos no Brasil, que alcançou patamar recorde em 2017, atinge principalmente essa parcela da população, para quem a taxa de mortes chega a 43,1 por 100 mil habitantes – para não negros a taxa é de 16. Com a situação de pandemia do novo coronavírus no mundo inteiro, a vida da classe trabalhadora piorou ainda mais.


No Brasil sofremos ainda mais com o agravamento da crise política provocada por um governo economicamente entreguista das riquezas nacionais, politicamente autoritário e com ações fascistas e corruptas, ligadas às milícias. Esse desgoverno se tornou o maior impedimento para o enfrentamento destas crises e só tem tornado a vida nas regiões periféricas ainda mais carente de políticas públicas. 


O desafio da luta para o próximo período será imenso, visto que provavelmente essa conjuntura nacional interferirá em nossas ações na cidade pois, com o congelamento de gastos por 20 anos, o Governo Federal retirou proteções sociais. Portanto, não há recursos para manter e/ou investir nas políticas públicas, prejudicando ainda mais a vida dos setores mais empobrecidos.


Por estes motivos, entendemos que o aumento e continuidade da renda emergencial, mesmo após a pandemia, será fundamental. A tributação das grandes fortunas e a tabela progressiva de Imposto de Renda poderia dar um pouco de fôlego às trabalhadoras e trabalhadores. Assim a luta é e será grande e para enfrentá-la contamos com todas, todos e todes as pessoas para que com ações intersetoriais, transversais e regionais, possamos avançar por uma cidade e um País mais justo! 



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