As Marias defendem e vão lutar para que mais mulheres ocupem a Câmara de Santos, participem das discussões sobre as prioridades para a Cidade e que atendam principalmente as periferias.
Nós mulheres somos 54% da população e mais de 55% das eleitoras de Santos. Apesar disso não somos ouvidas nem estamos representadas de forma justa nos diversos espaços de poder. Não estar nesses lugares faz com que as políticas públicas existentes não atendam as nossas necessidades.
Se a vida das mulheres, principalmente as negras e pobres, já era repleta de desigualdades, com a crise iniciada pela pandemia da covid-19, só piorou para todas nós, principalmente para aquelas que ocupam funções relacionadas ao cuidado, como as professoras, trabalhadoras da saúde, da educação e do trabalho doméstico que vivem dias ainda mais difíceis. Ser da classe trabalhadora, pobre e preta só piora a situação.
São as mulheres pobres e pretas que ocupam funções no trabalho doméstico e têm um lugar importante no cuidado de crianças, pessoas doentes e dependentes e na manutenção de lares – agora com mais uma tarefa na prevenção do contágio do coronavírus.
Apesar da enorme contribuição que seu trabalho significa na vida de muitas pessoas, também são um dos principais grupos afetados pela crise.
Isso pode ser observado quando vemos mulheres em empregos precários, além dos baixos salários e na falta de apoio social que nos garanta a sobrevivência e o sustento das famílias diante de situações como demissões ou redução salarial.
Uma parte significativa das mulheres ainda não teve acesso ao auxílio emergencial conquistado depois de muita ação política no Congresso Nacional. Mulheres que nem estão nas estatísticas, pois não têm documentos nem quem as oriente para resolver e mudar a situação.
Dentre essas mulheres, a parte mais vulnerável da sociedade, as trabalhadoras domésticas, são as mais afetadas pois não têm a garantia dos direitos trabalhistas como outras categorias. Muitas trabalhavam como diaristas e perderam sua fonte de renda, outras foram dispensadas sem pagamento.
Vamos falar da dupla jornada
A situação é particularmente difícil nas famílias em que pais e mães tentam trabalhar em casa enquanto estudam à distância ou cuidam de outros parentes. A mulher é quem tem suas tarefas multiplicadas, pois continuam cuidando da casa, dos filhos, mas agora também é preciso acompanhar as lições de casa enviada pela escola, conversar com os professores pelos aplicativos, coordenar os horários da casa e ainda dar conta das metas impostas pelos chefes. Todo esse trabalho não remunerado representa três quartos de todo o trabalho realizado pelas mulheres. As mães ainda carregam a maior parte dos cuidados infantis e do trabalho doméstico na maioria das famílias. Esta é uma realidade que preocupa todas as mulheres, mas dependendo das condições sociais a situação pode ficar pior.
E as crianças que ficam sozinhas em casa porque as mães saem para o trabalho? Quem as orienta, quem cuida delas e quem corrige ou conversa com a professora sobre o dever de casa? Essa é a realidade das mulheres que moram na periferia.
Outra preocupação para muitas de nós é com o risco de demissão ou de problemas no trabalho porque não são capazes de desempenhar seu trabalho tão bem quanto de costume, pois as condições não são adequadas. Afinal, nem todas temos um escritório na casa. Fazemos tudo junto e misturado: trabalho em casa, faxina, cuidado com filhos, idosos ou parentes doentes. No caso das professoras é muito mais grave. Já preparavam as aulas antes e agora precisa ser multimídia, gravar em vídeo e enviar para os alunos e alunas.
Mesmo que as mulheres sintam que seu emprego ou renda estão relativamente seguros, muitas estão dizendo que simplesmente não podem continuar assim por muito mais tempo.
Por conta da quarentena teve seu lugar de trabalho transferido para o ambiente doméstico precisando adaptar lugar e horários para atender as metas das empresas, acumulando outras tarefas, Nenhuma estrutura lhes fosse oferecida como internet, cadeira e mesa ergonômicas, de modo a não haver agravamento ou surgimento de problemas relacionados à saúde. Longe disso, algumas empresas reduziram o salário com o aval dos governos.
Antes da pandemia as mulheres tradicionalmente realizavam uma "dupla jornada" em casa quando o dia de trabalho terminava, agora tudo é junto, o trabalho profissional e o de cuidado – uma jornada de 24 horas. O custo disso para a saúde mental está levando algumas a pensar em desistir e largar o emprego durante a pandemia, mas há aquelas que não podem tomar uma atitude como essa, uma vez que sobrevivem dos trabalhos informais e mal remunerados.
Afinal, porque tudo isso acontece? O capitalismo faz com que as mulheres sejam exploradas e, enquanto nos reunimos e fortalecemos para criar outro meio de vivermos com justiça e dignidade, precisamos pensar em formas diferentes para não sermos tão agredidas por este sistema.
Então, o que é o capitalismo que nos atinge e agride tanto? Na região sudeste e nordeste, principalmente, a mulher negra é quem está na base do trabalho doméstico e que recebe menos por todas as tarefas realizadas. Quase metade dos lares brasileiros são sustentados por mulheres. A quantidade de famílias chefiadas por mulheres aumentou de 25% em 1995 para 45% em 2018.
Diante desse quadro parece que já não somos discriminadas o suficiente. Embora 56% das pessoas que ingressam nas universidades sejam mulheres, elas ainda têm remuneração inferior à dos homens.
Se trabalhamos tanto, porque não ganhamos o suficiente para as nossas necessidades? Que outra sociedade é possível?
Nossa luta é por justiça social e precisamos conversar sobre algumas questões. Queremos construir e buscar algumas respostas coletivamente, por isso vamos pensar sobre mais algumas preocupações que temos:
Queremos uma sociedade para os 99%. Não queremos que as mulheres ocupem todos os cargos como os empresários, substituindo os homens, enquanto as demais mulheres permaneçam no setor de cuidados. Não se resolve essas necessidades substituindo os homens pelas mulheres se a base social, mulheres e pretas, continuarem na mesma situação.
Não vamos mudar a sociedade apenas colocando mulheres em cargos é preciso movimentar a base de mulheres para melhores condições de vida para o conjunto das mulheres brasileiras.
Existem estudos que, analisando como as mulheres são afetadas pelas mudanças que vêm ocorrendo nas famílias, revela que a maioria dos países pode adotar políticas favoráveis a essa nova organização de famílias chefiadas por mulheres.
O estudo demonstra que as famílias, em toda a sua diversidade, podem ser defensoras da igualdade de gênero. Isso levaria os responsáveis de tomar decisão promoverem políticas baseadas nas formas atuais de vida, tendo como centro os direitos das mulheres.
O que é salário digno digno? Como sobreviver com um salário mínimo ou com auxilio emergencial e bolsa-família?
Em março de 2020, o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 4.366,51 em fevereiro. Este valor, é mais de quatro vezes o salário mínimo em vigor no País, reajustado em fevereiro e que é de R$ 1.045.
Queremos igualdade de salário, mas não igualdade na miséria. Para isso precisamos discutir o que é um salário digno e que supra todas as necessidades das mulheres e do povo periférico, além das políticas públicas de saúde, assistência, moradia e segurança pública.
Mulheres com salários mais baixos também estão sendo afetadas
O mundo fez grandes melhorias em direção à igualdade de gênero nos últimos 50 anos, mas levará pelo menos mais um século para que homens e mulheres acabem com as lacunas no local de trabalho, de acordo com o Fórum Econômico Mundial. E essa mudança só será possível com a luta das mulheres que são as que mais sofrem por falta de renda suficiente para manter a família.
Diante de tudo isso, chamamos quem se identifica e quer participar dessa construção que as Marias apresentam pode nos chamar para conversar e colaborar com a construção das nossas pautas.
Pré-cocandidata a vereadora das Marias no Mandato Coletivo Feminista em Santos, jornalista e assessora do Coletivo Feminista Classista Maria vai com as Outras,bancária aposentada e ex-sindicalista participou ativamente do movimento em defesa dos bancos públicos e contra a privatização do Banespa.
Ouça aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=8cUOf7FdWVI

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