Justiça Sexual e de gênero
Dida das Marias
Vamos conversar hoje aqui sobre a possibilidade de uma sociedade com justiça sexual e de gênero. Ou seja, falamos da luta de pessoas que lutam por poder existir numa sociedade heteronormativa e com expectativas de gênero em torno do que é ser homem e mulher. O que é uma sociedade heteronormativa? É uma sociedade que se pauta pela ideia restritiva de que há somente homens (com pênis) e mulheres (com vagina) e que devem se relacionar afetivamente com o que costuma ser nomeado “sexo oposto”. Entretanto, pessoas lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais, intersexo e não binárias existem!!! E lutam. Usaremos a sigla LGBTQI+ para fazer nos referir a elas.
Luciana Jorge das Marias
Vamos chamar de justiça sexual e de gênero uma sociedade que reconhece que LGBTQI+ são dignas de direito como qualquer outra pessoa. Essa justiça sexual e de gênero depende também da transformação das estruturas da sociedade. Em uma sociedade de classe, estruturada pelo patriarcado e racismo, a opressão às pessoas LGBTQI+ ganham contornos de classe, raça, geração entre outros que se expressam nas relações familiares, de trabalho e nas instituições de educação.
Cidinha das Marias
A luta pela justiça sexual e de gênero implica em enfrentar a discriminação, forjando possibilidades de mudança, especialmente pela educação para a diversidade. Lutar é enfrentar a violência de um país que mais mata pessoas travestis e transexuais. É enfrentar os processos cotidianos de exclusão que reproduzem a desigualdade com a proposição de políticas públicas que garantam acesso aos direitos individuais e sociais para pessoas LGBTQI+.
Pensar nas condições de vida é pensar também na dimensão econômica da justiça sexual, pois a dignidade para as diferentes orientações sexuais e identidade de gênero dependem das condições materiais de vida. Acesso e permanência na escola, trabalho digno e acesso a saúde integral são aspectos valiosos para alcançar uma sociedade justa.
Thaís Helena das Marias
No contexto da pandemia, sabemos que houve aumento importante da violência LGBTfóbica durante o período de distanciamento social (quarentena). Nesse contexto, algumas pessoas LGBTQI+ tiveram que conviver com familiares violentos e preconceituosos.
O enfrentamento da opressão contra pessoas LGBTQI+ é parte da luta feminista e, portanto, parte do que nós das Marias reivindicamos. O nosso feminismo classista inclui engrossar a luta pela justiça para todas as pessoas, considerando as singularidades do contexto de vida que indicam lutas mais específicas, em nome da equidade.
Somos um grupo de mulheres pré-cocandidatas, ativistas e feministas que acreditam em construções coletivas. Dida Dias, Cidinha Santos, Lu Jorge e Thaís Helena, as Marias.
(Texto da professora Cristiane Gonçalves, Unifesp)
Ouça em nosso Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=zgsYc-YHz4w

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